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sexta-feira, 24 de abril de 2015

HAVIA REMÉDIO PARA TUDO!...


 
Na Idade Média, as doenças eram combatidas com as mais diversas mézinhas, produtos, substâncias – vegetais ou animais –, uma vez que se desconhecia a verdadeira origem das doenças.
De tentativa em tentativa, empiricamente e através da observação dos efeitos, lá se ia tentando debelar as maleitas que surgiam. Físicos, cirurgiões, barbeiros, boticários faziam o que podiam.
Havia a ideia que, se tais “remédios” não fizessem bem, mal também não fariam…
Porém, alguns boticários eram criticados, por terem uma duvidosa preparação para as funções e por se “governarem” à custa dos males alheios. Alguns provérbios recordam essa crítica social:
“Remédio caro faz sempre bem, se não ao doente, ao boticário”
“Com malvas e água fria, faz-se um boticário num dia”
Através de uma velhinha quadra popular, que sobreviveu até meados do século XX, o Povo cantava assim:

                               Há remédio para tudo

                               Naquela negra botica

                               Só menos para as saudades

                               Quem as tem, com elas fica

Eis, pois, algumas mézinhas em voga no século XIII
*Para tratar a dor de dentes:
Colocava-se sumo de pepino no ouvido. Ou então leite de cadela
*Para debelar a diarreia:
Torravam-se pés de perdizes. Depois esmagavam-se, dissolviam-se em vinho e bebia-se esta mistura.
*Para a inflamação da vista:
Semente de funcho, erva arruda e vinho branco
*Para o reumatismo:
Colocava-se sobre a parte que doía, papas de linhaça galega em panos de lã.
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Fontes:
António Moreira, Provérbios Portugueses, Lisboa, Editorial Notícias, 2003.
José Hermano Saraiva e Maria Luísa Guerra, Diário da História de Portugal, vol. 1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1992.

terça-feira, 21 de abril de 2015

CONTO DA SEMANA


segunda-feira, 20 de abril de 2015

AS ESCOLHAS DE PAULO LOPES


O último livro (Poslednja knjiga, 2008) é a décima sexta obra de ficção de Zoran Zivkovic´, escritor sérvio cujos livros se encontram traduzidos em mais de 12 línguas.

O último livro é um empolgante exemplo da vocação eminentemente lúdica da ficção de Zoran Zivkovic; apesar dos intricados enredos e dimensões temáticas das suas obras (que podemos antecipar nos próprios títulos), é também acessível. Sob a aparência de uma história policial palpitante que se lê num fósforo, encontramos frequentes chispas de humor e ironia que redimem o negrume do tema (as mortes enigmáticas).

terça-feira, 14 de abril de 2015

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

HISTÓRIAS COM HISTÓRIA


A matança do porco:

- festa e subsistência

Desde tempos muito recuados que a carne de porco foi muito utilizada na alimentação das populações. Era a carne mais acessível aos estratos sociais mais pobres.
Na Idade Média, era vulgar os porcos andarem a vaguear pelas ruas de vilas e cidades. Mas a sujidade acumulada, o cheiro e alguns inconvenientes causados, começaram a preocupar as autoridades. Em Santarém, no século XV, há notícias de que os porcos, fossando pelos adros de igrejas, chegaram a desenterrar mortos que lá se encontravam sepultados. Em 1482 foi decretada, em Santarém, a proibição dos porcos andarem pelas ruas. Quem os quisesse criar, teria de os ter em casa ou prender em seus quintais. Porcos que fossem encontrados nas ruas, eram recolhidos e confiscados a favor do concelho. Ficava também estipulado que, quem encontrasse porco em liberdade, poderia caçá-lo, sem ficar sujeito a qualquer pena ou multa. O porco era alimentado e engordado ao longo de todo o ano. A matança costumava ocorrer durante o inverno:
"Eram mortos no tempo do frio,
O mais tardar pelas Janeiras,
Assim faziam o bom enchido
O belo chouriço das Beiras."
                     (in António dos Santos Vicente, Vida e Tradições...)

A matança do porco era ocasião festiva e pretexto para juntar a família, os vizinhos e amigos. A carne era salgada e também posta ao fumeiro, sendo a garantia que a subsistência estava assegurada, que havia carne para todo o ano. Por conseguinte, a matança do porco, para além do ritual da festa e convivialidade, constituía uma preciosa reserva para os tempos de crise.


É que, dentro das cancelas, estava o governo da casa dos pobres….

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Fontes: António dos Santos Vicente, Vida e Tradições nas Aldeias Serranas da Beira, s.l., s.n., 1995.
             José Hermano Saraiva e Maria Luísa Guerra, Diário da História de Portugal, vol. 1,  Lisboa, Difusão Cultural, 1992
             (adapt.)
            Margarida Ribeiro, Estudo Histórico de Coruche, Coruche, Câmara Municipal, 1959.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

HISTÓRIAS COM HISTÓRIA



 
e por fim restaram as tripas…

Nos preparativos para o arranque da Expansão Portuguesa, o Infante D. Henrique precisando de abastecer as naus para a tomada de Ceuta, na expedição militar comandada pelo Rei D. João I em 1415, pediu aos habitantes da cidade do  Porto todo o género de alimentos. Todas as carnes que a cidade tinha foram limpas, salgadas e acamadas nas embarcações, ficando a população sacrificada unicamente com as miudezas para confecionar, incluindo as tripas. Foi com elas que os portuenses tiveram de inventar alternativas alimentares, surgindo assim o prato "Tripas à moda do Porto". A necessidade aguçou o engenho….  e do pouco se fez “muito”…

O prato acabaria por se perpetuar até aos nossos dias e tornar-se, ele próprio, um dos elementos  gastronómicos  mais caraterísticos e emblemáticos da cidade. De tal forma que, com ele, nascia também a  alcunha "tripeiros", como ficaram a ser conhecidos os portuenses desde então.

(Fonte: Joel Cleto, “A origem dos tripeiros”, in Lendas do Porto, Matosinhos, QuidNovi, 2010 -adapt).

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

HISTÓRIAS COM HISTÓRIA


 
A luz elétrica faz mal à vista?

 

Em 1857, o governo português nomeou uma comissão para apreciar o relatório e contas da Companhia Lisbonense de Iluminação e Gás. Eram os primórdios da eletricidade na iluminação pública em Portugal.
A dita comissão debruçou-se sobre o tema e reconheceu que a luz elétrica era “barata em relação aos outros sistemas de iluminação”. Todavia, alertava para os “efeitos insuportáveis à vista” que, segundo os peritos da dita comissão, causariam o “enfraquecimento ou a perda de vista das pessoas que estivessem próximas dessa intensa luz”. Tais problemas derivavam, segundo se afirmava, na concentração “em um mesmo ponto de uma imensa quantidade de raios luminosos”.
Considerava-se, portanto, que não estavam ainda suficientemente estudados os efeitos “das fortes e constantes correntes elétricas” sobre a “higiene pública”. E, mais do que isso, considerava-se também que tais correntes causariam uma “grande perturbação na atmosfera”, podendo, por isso mesmo, agravar “algumas enfermidades” ou, pior ainda, provocar outras novas doenças, ainda “não compreendidas” nem, tão pouco, descritas nos “Tratados Patológicos” das ciências médicas da época. 

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Fonte:  José Hermano Saraiva e Maria Luísa Guerra, Diário da História de Portugal, vol. 3, Lisboa, Difusão Cultural, 1998 (adapt.)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

HISTÓRIAS COM HISTÓRIA




O rei D. Manuel açoita o príncipe

Conta-se que certo dia, tendo o príncipe D. João (futuro D. João III) uns oito ou nove anos, chegou-se, pela hora da sesta, a uma varanda do Paço da Ribeira, onde a corte na altura se encontrava. Um pobre mendigo, que por ali passava, ao ver o príncipe, pediu-lhe esmola. Como não tendo que lhe dar, o pequeno D. João mandou-lhe que levasse um burro que por ali estava atado a um esteio.
Entretanto, estava o mendigo a preparar-se para levar o burro quando chegou um aldeão que era o verdadeiro dono do animal. Mas o mendigo não queria abrir mão do burro porque dizia que tinha sido o príncipe que lho dera. Foram os dois homens presentes ao rei. Este, ouvindo a história, devolveu o seu a seu dono e, ao mendigo, deu em dinheiro a “justa valia” do burro.
De seguida, mandou chamar o príncipe que, entretanto, se tinha escondido. Levaram-no à força aos aposentos onde se encontravam o rei e a rainha. Então, D. Manuel, advertindo asperamente o jovem príncipe seu filho, disse-lhe:
- “Porque sois príncipe e haveis de ser rei, vos hei-de castigar pelo que agora fizestes, para que nunca vos mais esqueça que a principal obrigação do ofício de rei é dar a cada um o seu e que por nenhum caso pode dar o que for de uma pessoa a outra”.
Mandou ao príncipe que se desatacasse. O príncipe recusou-se. Então, foi o próprio rei que lhe “desatacou as atacas das calças” e, com sua mão, lhe deu “meia dúzia de açoutes”.


Fonte: Ditos Portugueses dignos de memória, 3ª ed., Actualização, introdução e comentários de José Hermano Saraiva, Mem Martins, Publicações Europa-América, s.d. (adapt.).

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Sugestão PNL/ Metas Curriculares: O Deus das Moscas

 
Na BE da ESB também encontras o filme disponível!
Só precisas de pedi-lo e assistir...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

O LIVRO PREFERIDO

Hugo Abreu (10º A) escolheu:


 
-  porque é um livro de leitura simples, leve e está muito bem escrito. Tem uma história original e envolvente que dá vontade de ler mais e mais...

- porque tem vários volumes, o que significa que a história é grande, o que é uma vantagem, pois é uma boa história.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O LIVRO PREFERIDO

Ana Rute César (12º.E) escolheu:




 
 
- porque as personagens sofreram grandes mudanças no seu comportamento, e apenas por uma questão de poder;
- pelo final cruel e pela curiosidade que ficou, depois  de uma conclusão aberta e a permitir leituras tão variadas. 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Histórias com HISTÓRIA


Correr a ponte a cavalo:

- valentia ou doidice?

Durante a Idade Média, os reis e as suas cortes não estavam sempre no mesmo local. Tinham caráter itinerante. Muitas vezes faziam-no para fugir à peste – doença contagiosa e para a qual não existia cura.

A corte circulava entre Lisboa, Évora, Santarém, Almeirim, Montemor--o-Novo, Sintra, Salvaterra de Magos…etc.

Muitas vezes, os reis, acompanhados dos seus fidalgos mais próximos, faziam incursões nas terras circunvizinhas, para caçar, para contactar com as autoridades locais, para ouvir os grandes senhores dos concelhos, as dificuldades, os anseios…etc.

Conta-se que um dia, o rei D. Afonso V, de passagem por Coruche, disse a um seu nobre cavaleiro, que integrava a comitiva régia, que seria grande valentia correr a ponte a cavalo. Ora, a ponte sobre o rio Sorraia em Coruche devia ser frágil e aquele exercício seria muito perigoso e altamente arriscado.

Mas o nobre cavaleiro não quis mostrar fraqueza. Era a sua honra que estava em jogo. Os homens honrados, os grandes senhores da nobreza, não podiam ter medo da morte. E aquele nobre, não se negando ao “desafio” do seu rei e senhor, foi mesmo correr a ponte a cavalo. No fim, foi ter com o rei e, desgostoso, disse-lhe:

– “Senhor, estou para me despedir de vós por duas razões: a uma por haverdes isto por valentia; e a outra por quererdes que, por uma doidice, morra um tal cavaleiro como eu”.

 

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Fonte:  Ditos Portugueses dignos de memória, 3ª ed., Actualização, introdução e comentários de José Hermano Saraiva, Mem Martins, Publicações Europa-América, s.d. (adapt.).

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O LIVRO PREFERIDO

Pedro Roque (12º. B) escolheu:


- porque,  neste livro, há um desejo de atingir a perfeição, um desejo de nos superarmos a nós próprios, acreditando nos nossos sonhos  e objetivos e ultrapassando vários obstáculos;
- porque está sempre presente o amor, a compreensão do outro e, principalmente, a capacidade de saber perdoar.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

terça-feira, 18 de novembro de 2014

AINDA "MEMORIAL DO CONVENTO"



 
 
"Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes."
 
«Lembras-te da primeira vez que dormiste comigo, teres dito que te olhei por dentro, Lembro-me, Não sabias o que estavas a dizer, nem soubeste o que estavas a ouvir quando eu te disse que nunca te olharia por dentro. […] Eu posso olhar por dentro das pessoas."  (Cap. VII)
 
Esta terceira linha temática do romance envolve as personagens Baltasar Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas. Os dois formam um casal muito particular na sua cumplicidade e na partilha desinteressada. Tal como a primeira  e a segunda, esta linha orientadora do romance perpassa por todo o romance, intercalando-se e entrelaçando-se.
 
Particularmente para os alunos de 12º Ano, vão leeeeendo...
 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Os Miseráveis

Decorre na Biblioteca Escolar uma exposição sobre a obra Os Miseráveis de Victor Hugo. Não se trata apenas do livro escrito por este francês, mas também de excertos do musical que está em cena há já vários anos, sempre com uma grande adesão do público. A nossa Biblioteca presta, assim, homenagem a esta obra, relembrando um dos clássicos da literatura mais conhecidos em todo o mundo.




Visita a Biblioteca e dedica apenas um minuto a esta exposição!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

O LIVRO PREFERIDO

Lara Almeida (9º D) escolheu:


- porque é cativante e emocionante. É, ainda, viciante e faz com que não queiramos deixar de ler;
- visto que a história é muito interessante.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

HISTÓRIAS COM HISTÓRIA


Um poço, uma horta e um… teimoso

 

Na Benavente de meados do século XVI, próximo da ponte que ligava a Salvaterra de Magos, havia um poço – “o único por onde o povo bebe”.

No ano de 1563 o poço necessitava de reparação urgente por estar já “muito desmanchado”. Era, ao que consta, a principal fonte de abastecimento de que Benavente dispunha, pois “daí bebia toda a gente desta vila”. Eram, pois, compreensíveis todos os cuidados da Câmara em preservar a boa qualidade da água.

Todavia, conta-se que um tal Ensenso Fernandes abrira uma vala a céu aberto numa horta que cultivava ali mesmo junto ao poço da vila. A vala lançava muita sujidade no poço. Este, no Verão, exalava um “ruim cheiro”. A Câmara, preocupada com a situação, mandou o porteiro do concelho intimar o prevaricador a tapar a referida vala, sob pena de 1000 reais de multa e cadeia. Porém, a resposta do morador foi teimosamente desconcertante: Ensenso Fernandes “respondeu que não havia de tapar”….

Desconhece-se o que terá acontecido, quer à água do poço, quer ao morador teimoso…..

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Fonte:  Francisco Correia, Subsídios para a História Benaventina do século XVI. (Sumários de um Livro de Actas da Câmara de 1559 a 1564), Benavente, Câmara Municipal, 1995 (adapt.).

terça-feira, 4 de novembro de 2014

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

MEMORIAL DO CONVENTO II

 
"Era uma vez a  gente que construiu esse convento."

Continuando a viajar pelo nosso Memorial do Convento, encontras esta segunda linha temática na contracapa dessa obra. Já falamos aqui da primeira.

Saramago quis homenagear  o povo anónimo que contribuiu para a construção do Convento de Mafra. Esta personagem coletiva mostra a sua capacidade de se sacrificar e a miséria em que vive, por vezes, sobretudo na Ilha de Madeira, o gigantesco estaleiro da obra.